Archive for the ‘reportagens’ Category

Queijaria Amaral

Sunday, April 5th, 2009

Lembram-se de eu falar uma vez aqui da Maria José Silva?

Pois é, ontem, enquanto degustava uma francesinha no Bufet Fase na Rua Santa Catarina – Porto, na companhia do Miguel AJ, compositor e vocalista d’Os Azeitonas, veio à conversa o trabalho de Maria José Silva, a cineasta amadora que conta já com 11 filmes editados. Dessa conversa surgiu a ideia de ir à queijaria da senhora, que era ali perto. Mais concretamente 1,9 km’s, indicava o GPS.

Ao chegar à loja, deparamo-nos com o marido da Maria José e com a própria, mais retirada, sentada num banco. Com algum esforço levanta-se com a ajuda duma muleta, dizendo um sorridente “Olá!” – justificando-se imediatamente do facto de andar de muletas. Tinha sido uma queda e consequente fractura da rótula. Felizmente nada que a abatesse, já que se mostrou sempre com uma simpatia que só no Porto se encontra. Parecia que não falava há meses, tal o ritmo com que a conversa se desenrolava.

O tema principal como não podia deixar de ser foram os filmes, já que apesar do cheiro maravilhoso a queijos e enchidos que se fazia sentir na loja, o nosso dinheiro foi todo para filmes e cd’s. Filmes esses que estão expostos logo à entrada, juntamente com os recortes de jornais onde a nossa cineasta tem aparecido.

O destaque da conversa foi para o filme “Mulheres traídas” tendo a Maria José contado que os actores eram pessoas que ela conhecia, e que o actor principal era um homem que gostava muito de mulheres na vida real, e por isso lhe tinha sido fácil desempenhar o papel que lhe estava destinado no filme – o de um homem que troca a mulher com quem é casado há 40 anos por outra mais nova, e que no fim esta lhe rouba todas as poupanças. Uma história que comove Maria José.

Falou-nos também que está a rodar um filme e a escrever outro, e que o dinheiro que consegue na venda dos filmes vai directamente para o orçamento do próximo. Não tendo férias há 40 anos, gastando tudo com a sua paixão.

A dada altura só me apetecia pegar numa cadeira e sentar-me lá. Por mim ficaria ali toda a tarde a ouvi-la falar, o marido, esse era mais recatado. E apesar de numa reportagem que vi sobre ela, a Maria José dizer que ele não a apoiava em nada, ele durante a nossa conversa deixava transparecer orgulho nessa paixão da sua companheira, falando entusiasmado dos filmes, enquanto os retirava de um saco de plástico e os espalhava na mesa. Enquanto a autora ia pegando neles e explicando a história dos mesmos, um por um. Todos falam de temas do dia a dia, histórias simples contadas por uma pessoa simples e genuína, que merece sem Duvida que a apoiem nesta paixão. E a melhor forma de o fazer é comprando os seus filmes, portanto, todos os que estiverem interessados em conhecer a filmografia da Maria José Silva, só têm que ir Queijaria Amaral, situada na rua Santo Ildefonso – bem no centro do Porto.

Eu saí da loja com o DVD Mulheres Traídas, que visionei ontem com amigos, valendo uma boa dose de gargalhadas, e com a banda sonora do filme, interpretada também pela Maria José. O Miguel saiu da loja com o filme “Aconteceu no Natal” e  bastantes ideias na cabeça, que a concretizarem-se serão no mínimo bombásticas, e que a seu tempo se tudo correr bem serão reveladas!

Por tudo isto só vos posso aconselhar a visita. Não se vão arrepender concerteza. Como aperitivo, deixo-vos uma musica da banda sonora do filme, que resume muito bem a história do mesmo.

 Maria José Silva – Tenho pena muita pena

Leonel Nunes em Pombal – As fotos

Tuesday, January 27th, 2009

Leonel Nunes, um artista para todas as idades

Já passou mais de uma semana desde que o Leonel abrilhantou as festas de Santo Amaro em Pombal. Infelizmente por falta de tempo e também por alguns problemas técnicos (já que tentei criar um slideshow bonitinho com as fotos e não consegui) só agora mostro aqui as fotos.Quem visita o fórum do Portal Pimba teve oportunidade de as ver em primeira mão. Os que não visitam o nosso cantinho, têm agora oportunidade de o fazer, clicando neste link. Lá podem ver todas as fotos do concerto, e principalmente das bebedeiras que por lá andavam.

Felizmente as festas de Santo Amaro estão garantidas por mais 2 anos, já que a comissão deste ano levantou o ramo por duas vezes, garantindo assim a continuídade de uma das festas mais tradicionais do concelho de Pombal. E pelo que falei com os organizadores, o Leonel estará entre os convidados do próximo ano. Nós por cá tudo faremos para que isso aconteça, oferecendo assim publicamente todo o apoio necessário à realização do Santo Amaro 2010.

Festas de Santo Amaro

Sunday, January 18th, 2009

Infelizmente não pude ir na sexta ás festas de Santo Amaro – Pombal (o trabalho assim o obrigou) mas ontem andei por lá, e foi mais ou menos assim:

João Caetano (na foto) vence, mesmo que penalizado 15 segundos, a primeira descida de carrinhos de rolamentos do Santo Amaro.

Mónica Sintra, a primeira artista da noite subiu ao palco, e deu o seu espectáculo habitual em que vai percorrendo os vários estilos que abraçou ao longo da carreira, desde o Pimba do começo da carreira, à Salsa, entre outros.

O último artista que vi foi o Toy, que apesar de estar sempre a dizer “no Pombal” o que é ofensivo para as pessoas da terra, conseguiu pôr a dançar a vasta plateia que se juntou na Praça Marquês de Pombal para o ver. E deu para comprovar ao vivo que a música “chama o António”, apesar de ser parôla, mete toda a gente a cantar.

Hoje, lá para o final da tarde, teremos o Leonel Nunes no palco a encerrar as festas. Apareçam

“Tóino” – O último pastor da Serra do Sicó

Monday, September 22nd, 2008

Cliquem na foto para o ficar a conhecer

Nel Monteiro ao vivo no Casal Fernão João

Wednesday, September 10th, 2008

Clica na imagem para veres as restantes fotos

“Dois cds 5 euros” – é assim que Nel Monteiro, no seu concerto anteontem em Casal Fernão João, combate a pirataria. “É mais barato que nos piratas!!!” – remata ele, enquanto aponta para a mesa de som, onde ao lado estava uma pequena banca com os cds a preço de saldo. A crise está aí, e aqueles que pensam que a música popular alternativa não é tão atacada pela pirataria desenganem-se. Ainda aqui há dias, numa barraca de cds em Ponte da Barca ouvi a seguinte conversa:

Cliente: “Quanto é este cd?”
Vendedor: “20 euros, mas tenho aqui gravado por 10″ – enquanto mostra o cd gravado, com capa impressa numa vulgar jacto de tinta caseira.

Nel Monteiro por email já uma vez me tinha dito que  os piratas andavam a dar cabo do negócio, e esta é a forma que encontrou para os combater – Vender cds a preço de saldo.

Foi a segunda vez que vi o Nel Monteiro ao vivo. Longe vai o tempo em que o vi nas festas do Bodo em Pombal, e desse dia só me lembro de um músico que tocava tambor ter rebentado a pele do instrumento, e prontamente o Nel Monteiro ter feito uma qualquer piada brejeira que agora não me recordo.

Desta vez vi-o apenas com as bailarinas, em playback instrumental. Os tempos de crise e o orçamento limitado da festa assim o ditam. O espectáculo começou com a música “Azar na praia”, música de romaria, e um dos maiores sucessos do cantor. Mas o momento alto veio logo depois, com o tema que segundo o artista “lhe dá muito valor pelo mundo fora”. Falava de “Retrato Sagrado”, música dedicada à sua mãe e que muito tocou os presentes, especialmente aqueles que já não têm a mãe ao seu lado. Foi o momento mais introspectivo da noite, logo seguido de mais música de arraial. Nel Monteiro, talvez devido à idade já avançada de alguns presentes, não arriscou cantar os seus temas polémicos, tendo naturalmente o tema “Puta vida merda cagalhões” ficado engavetado. O espectáculo começou da mesma forma que começou, com a “Azar na Praia” a ser o primeiro de dois encores.

No fim houve os tradicionais autógrafos, com o Nel Monteiro, ele próprio a vender os seus cds e a rubricá-los perante a alegria dos novos proprietários da sua obra.

Leonel Nunes em Vila Facaia

Tuesday, June 3rd, 2008

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Prejudicado pela hora avançada a que começou a tocar, muito devido ao atraso dos dois organistas que antecederam o Leonel (Benny Pascoal e Nuno Romero) e pelo facto de ser domingo, foram pouco mais que uma centena as pessoas que estiveram domingo, dia 1 de Junho em Vila Facaia – Pedrogão Grande.

Com um espectáculo ao seu nível, Leonel tocou durante quase duas horas para os presentes, que se iam divertindo junto do Bar e na pista de dança que se situava ao lado do palco, ao contrário do que é habitual. Mas a inclinação do terreno em frente do mesmo, não era a mais adequada ao pézinho de dança. Assim, poderá parecer pelas fotos que não havia bailarinos… pura ilusão, ao lado, na pista, os mais destemidos ensaiavam passos ao som das músicas do Homem do Garrafão.

Garrafão, que mal Leonel anunciou aos microfones que daria uma pinga aos que se deslocassem ao palco com um copo, foi desde logo requisitado inúmeras vezes. E se uns se limitavam a ir à frente do palco, outros houve que subiram mesmo o palco, juntando-se ao artista. Uma das vezes, um desses fãs levou uma vasilha de sangria com duas palhinhas para o Leonel beber. Este não se fez de rogado e bebeu a dita sangria, mas logo fez má cara. “Esta merda é muito doce”- disse, enquanto levava o garrafão, na já mitica “trombada” para lavar a boca do sabor doce da sangria.

Na audiência estavam várias pessoas ilustres da terra, e mal o Portal Pimba chegou ao local, muitas foram as pessoas, que ao ver-me de máquina fotográfica em punho se apressaram em chamar-me. Tendo o senhor Albano Santos, conhecido poeta popular, sido o anfitrião da festa, apresentando-me a algumas pessoas presentes, sempre com algumas quadras populares à mistura. Logo tive contacto com o presidente da Associação de Derreada Cimeira, que conversava alegremente, encostado ao bar, com o presidente da Associação de Vila Facaia.

Ao lado estava uma das figuras típicas da terra, infelizmente não me lembro do seu nome, mas vamos-lhe chamar de “Benemérito”, já que segundo palavras do próprio: “Fui eu que doei os terrenos para a construção da capela” – diz, naquilo que a principuo eu interpretei como sendo orgulho. Mas logo remata com – “Se soubesse o que sei hoje… teria feito aqui uma casa” – e repete várias vezes a mesma frase. Os motivos não sei, mas oseu olhar revelava algum desalento.

“Este é o Ludgero! É habitante da Picha!” – dizia Albano Santos, enquanto puxava o Ludgero, um moço novo de gravata rosa e barba desalinhada para o meu lado. “Conheces a Picha?” – perguntava-me ele. E ao ter resposta positiva, logo disse que se por lá passasse e perguntasse pelo Ludgero, toda a gente o conhecia. Perguntei-lhe: “Então e quando é que há festa na Picha?”. Ele olha para o chão e diz: “Oh…se calhar nem vai haver, já o ano passado não houve…” “Então? A picha está em crise?” voltei a perguntar, ao que o Ludgero acena afirmativamente com a cabeça, com o olhar focado no chão.

Pouco tempo depois, o nosso “Benemérito” chega perto de mim e da minha namorada, e rouba-ma para uma dança. Ela ainda tenta fugir, mas tal é a força com que ele a agarra, que as hipóteses de fuga com o pulso intacto se tornam escassas. Eles dançam, ela ri com ar assustado, mas a ele nada o incomoda, dança sob o olhar do próprio Leonel que também ele ri do alto do palco, ao vê-la assustada.

Entretanto, um senhor já com alguma idade desce a grande velocidade em frente ao palco, e não resistindo à inclinação do terreno e aos efeitos do vinho estatela-se no chão. Ainda tirei uma foto enquanto corria para o amparar, mas cheguei tarde. Perguntei-lhe se estava bem, nã0 respondia, mas parecia estar tudo bem. Logo várias pessoas se apressaram para o ajudar. Sentaram-no junto a um poste, mas ao ver um conhecido coleccionador de acordeões local a passar com sangria na mão, ainda se tenta levantar para beber mais um pouco. É imediatamente impedido pelas pessoas que o rodeavam, sendo aconselhado a não beber mais nessa noite. Mas passado pouco tempo já estava com um garrafão na mão, com o qual posou, feliz, para a minha camera.

Perto das duas tive que ir embora, o Leonel estava já a acabar o seu espectáculo, e eram já poucos os resistentes. Dia 13 talvez volte a Pedrogão Grande, desta feita para ver o Duo Manuel Brás, os autores do hit “Juventude Desesperada”

Vejam aqui todas as fotos da noite.